quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Minha vida sem mim


Análise do filme “Minha vida sem mim” – direção e roteiro de Isabel Coixet
Por Ana Marques



Uma moça na chuva, olhos fechados, pés descalços e pensamentos que fazem um sentido tão profundo que doem:

“Esta é você.
 Nunca pensou que fosse fazer algo assim. Você nunca se viu como – não sei como descreveria – como uma dessas pessoas que gostam de olhar a lua ou que passam horas contemplando as ondas ou o pôr-do-sol. Deve saber de que tipos de pessoas estou falando.
Talvez não saiba.
Seja como for, você gosta de ficar assim: lutando contra o frio e sentindo a água penetrando na sua camisa e tocando sua pele e da sensação do chão ficando fofo debaixo dos seus pés e do cheiro. Do som da chuva batendo nas folhas e todas as coisas que estão nos livros que você não leu.
Essa é você.
Quem teria imaginado?
Você.”

Vinte e três anos e uma vida pela frente... uma vida de dois meses, talvez três. Ann descobre-se doente, e entrando em si mesma, percebe pela primeira vez de forma consciente como deixou de viver, e da mesma forma que o tumor dentro dela, como cresceu rápido demais. Trabalhando como servente a noite numa faculdade em que não pode estudar, ouvindo fitas em alemão na esperança (quase imperceptível) de poder modificar sua vida. Mas a realidade massacrante está ali: ela tem 23 anos, 2 filhas, um marido doce e infantil, uma amiga obcecada, uma mãe amarga e mora no quintal dela, num trailer.

Antes que tivesse tempo de descobrir a vida, de experimentá-la, viu-se responsável por outros e cercada de deveres. Não teve tempo para pensar, nem mesmo tempo para viver. O médico que dá a ela a notícia vive o seu próprio drama pessoal: não consegue encarar em si mesmo o paradigma que escolheu: salvar vidas significa enfrentar a inevitável morte. Ao dar o diagnóstico, o choque de Ann, as palavras duras quando ele sugere uma segunda opinião (“um outro médico que me diga o mesmo, mas olhando nos meus olhos?”) e sua saída intempestiva o fazem começar a acordar. E fazem com que ela acorde também: como poderia reverter uma vida inteira de concessões em tão pouco tempo? Como viver tudo que nem mesmo percebeu que deveria ter vivido?

Decidida a não se entregar, ela toma as rédeas da situação: não conta a ninguém para que não interfiram na forma como deseja viver esses últimos meses. E faz uma lista: tudo que quer fazer, e não fez. Tudo que pretende no tempo que resta. Tudo que, pareça bobagem ou não, importa a ela. E nessa lista, suas prioridades: dizer às filhas que as ama, achar uma nova esposa para Don de quem as filhas gostem, gravar mensagens de aniversário para as meninas até que completem dezoito anos, ir fazer um piquenique na praia, fumar e beber quanto quiser, dizer o que pensa, fazer amor com outros homens para saber como é, fazer alguém se apaixonar por ela, visitar o pai na cadeia e colocar unhas postiças e fazer algo com o cabelo. Dez desejos. Dez vontades que podem parecer egoístas, podem parecer manipuladoras, mas na verdade, mostram o espírito de extrema sabedoria que o crescimento acelerado e a morte iminente ensinam a Ann: não se pode perder tempo.

Desse momento em diante, ela começa a viver: olha as pessoas nos olhos, percebe o efêmero da vida, ensina a cada um alguma importante lição. Utilizando a sinceridade que lhe foi outorgada pela consciência da transitoriedade, diz sem papas na língua para uma garçonete que ganhar na loteria para ser igual a outra pessoa é uma estupidez, com a mesma profundidade transforma em lição uma conversa banal com uma cabeleireira que defende veementemente a dupla Mili Vanilli (para quem não sabe, dupla que foi desmascarada porque usava vozes alheias em seu CD). Ann consegue perceber tudo que é irreal no mundo, comparando-os à dupla, nota como ofertas, comidas, vitrines não passam de distração da vida, da verdadeira vida. Daquela que corre nas veias e pode acabar a qualquer momento e que nenhuma promoção de loja ou carro importado pode fazer continuar correndo. Ninguém passa em branco na vida de Ann daquele momento em diante, em vida ou em fitas, deixa lições, mostra o que aprendeu e como é importante viver. Num momento em que vomita no banheiro, acaba por colocar para fora frustrações para sua amiga Laurie (maníaca por dietas que nunca realmente começa): desde a traição de uma amiga infantil, à festa que não foi convidada, o pai que não vê há 10 anos e a necessidade de crescer de um momento para outro porque foi mãe com dezessete anos. Ela vomita a inverdade da vida, dos comerciais de felicidades perfeitas e desinfetadas, da mentira que nos faz acreditar que o que temos é tudo que podemos ter. Como ela mesma diz “não tenho mais sonhos, e sem sonhos não dá para viver”.

Em busca de uma vida que não teve e – mais sozinha que nunca - Ann encontra Lee e com ele se envolve. Uma figura desesperançada, perdida num emaranhado de sentimentos sem conexão entre si. O caso de amor entre eles é tão eterno quanto efêmero: Ann não tem tempo, mas vive tudo, e mostra a ele a beleza da vida quando a mesma é plena, quando o belo é tirado de dentro. É com ele também, num trecho de livro lido em voz alta, que fica claro o destino que teria se ela fosse lutar contra a doença incurável:

“As capacidades dela desaparecem, uma por uma... E não há noite, não há estrelas, apenas um porão do qual ela nunca pode sair... e ninguém mais pode ficar. Dão a ela remédios que a deixam doente, mas impedem que ela morra. Por algum tempo...
Eles têm medo. Eu tenho medo.”

O livro é jogado longe. Por mais que saiba, ouvir desperta nela uma revolta imediata. Por mais que esteja aprendendo, ainda é um ser humano, buscando TUDO no pouco que resta... ouvindo sobre países que não vai conhecer, planos dos quais não vai fazer parte e pensa em tudo que não poderá realizar, nas filhas que não verá crescer.

O pai é uma lição à parte: para ela e para quem vê o filme. Apesar de parecer sem sentido, ele começa falando sobre sapatos... mas quem realmente pode falar de sapatos na presença de alguém que te olha no fundo dos olhos, no mais profundo âmago das suas emoções? Comovido, ele confessa “Alguns de nós não podem levar o tipo de vida que algumas pessoas querem. Por mais que a gente tente não consegue... É difícil, sabe... amar alguém e não conseguir fazer a pessoa feliz. É como se você amasse essa pessoa, mas não conseguisse amá-la como ela deseja.”. Nesse desabafo ele a ajuda a compreender a revolta da mãe, e a ajuda-la na herança de uma das fitas: não se pode mudar ninguém, nem esperar a felicidade dos outros, é preciso busca-la, dar uma chance para a vida, dar chances a si mesmo.

Um a um Ann vai realizando seus objetivos. Depois de despedir-se de Lee, ouve dele a confissão de amor que ela desejara, a confissão que não faz (em vida). Volta para casa e vê a cena que espera, a cena da sua vida sem ela. A vizinha, a xará Ann, preparando o jantar em plena harmonia com Don e as crianças, vendo isso e perdendo as forças, ela reza: “Você reza para que essa seja sua vida sem você. Reza para que as meninas amem essa mulher... que tem o mesmo nome que você e para que seu marido também acabe  amando-a. E para que eles morem na casa ao lado... e as meninas brinquem de casinha no trailer e mal se lembrem da mãe que dormia de dia e fazia passeio de jangada com elas, na cama. Reza para que tenham momentos de felicidade tão intensa que faça todos os problemas parecerem insignificantes. Você não sabe para quem reza, mas reza. Você nem sequer lamenta a vida que não vai ter porque já estará morta e os mortos não sentem nada, e nem lamentam.”

Tudo vai clareando e mostra que a presença física de Ann não mais está ali, mas as lições que deixou começam a mostrar seus frutos: a mãe deixa de isolar-se em casa para chorar sozinha em filmes de outras mães sofredoras, Don passa de rapaz encantador a homem, a outra Ann finalmente pode dar o amor para as crianças que seus traumas a impediam de ter, Laurie vê as mentiras em si mesma e é mostrada comendo cenouras, o médico (responsável pela entrega das fitas), começa a organiza-las e a enfrentar aquilo de que tanto tinha fugido. Por último Lee, o que estava perdido e desacreditado do mundo, aparece sorrindo: lembrando dela e da fita que recebera. Ele recomeça a caminhar, porque viveu uma vida inteira em um mês e percebe finalmente que pode viver quantas quiser ainda.

Os Arcanos:

O Grande Arcano do filme é a Morte que, através de Ann e das atitudes que ela toma ao perceber a fragilidade da vida, transforma cada um dos personagens. Não existem coadjuvantes aqui, todos são estrelas de peças dramáticas: a inconsciência de si mesmo, a fuga do próprio eu, a auto-sabotagem. Podemos encontrar vários Arcanos no decorrer do filme e em cada um dos personagens existe sempre um que está exaltado.

Personagens:

Ann => ela é a própria Morte, que se transforma e transforma os outros à sua volta.

Lee => O Louco, nada tem dentro de casa, além de livros (possuir o essencial), mas anda sem direção e sem rumo, não sabe aonde ir e nem se quer chegar. Cruzar o caminho com Ann e viver a paixão com ela reacende a chama da vida em seu interior: ele volta a caminhar, vai em busca de si, de sua jornada pessoal.

Mãe de Ann => O Enforcado, ou o que chamaríamos de matter dolorosa, aquela que por não ver seus sonhos realizados, coloca a culpa em todos e se frustra fechando-se em si mesma e vivendo para uma realidade de sacrifícios e insatisfações.

Outra Ann => A Sacerdotisa, que possui conhecimento e amor, mas não se dispõe a dá-los. No caso dela, devido ao trauma de ter visto a vida esvair-se em seus braços. A morte de Ann, e o cuidado com as meninas dela, a transformam na Imperatriz: a mulher realizada.

Don => O Mago, encantador, doce, porém ilusório. Vive procurando emprego, vive arrumando empreguinhos, vive desejando dar uma vida melhor a todos... deseja, mas não possui conhecimento e maturidade para consegui-lo. Tocado pela responsabilidade real das filhas, ele cresce finalmente, e assume seu papel de Imperador.

Cabeleireira => O Mago, vende a ilusão da beleza, vive a ilusão de Milli Vanilli, e através de sua superficialidade, ensina a Ann  lições que os demais puderam aproveitar. Ela continua vivendo, continua enganando... ou talvez, ela apenas quisesse ser o Mago mesmo, e nada mais.

Laurie => A Lua, inconsciente dos próprios problemas, enganando-se quanto a uma dieta que nunca faz e a um cigarro que nunca larga, finge que conta calorias mas come o tempo todo e esconde isso de si mesma. Com a partida brusca de Ann, cai em si o círculo vicioso em que estava afundada, como suas manias não passavam de desculpas vazias para o que ela não pretendia fazer. Sem bombons e sem fugas, o filme a mostra comendo cenouras. Talvez agora ela ultrapasse o caminho, e chegue ao próximo Arcano: o Sol.

Pai Ann => O Mago, o que tenta, mas não consegue iludir por muito tempo. O que admite a própria incapacidade de ir além dos truques que conhece. Ele está preso: mais em si mesmo, e nas suas limitações, do que na prisão propriamente dita.

Médico => O Hierofante completamente paradoxal: possui o conhecimento e o dever, não pode delegar para outro a tarefa que a ele compete, mas... é incapaz de dizer o que deve ser dito olhando nos olhos. Ele foge da realidade escolhida, fixando seus olhos nos papéis e nas frases prontas. É preciso que o toque brusco de Ann o acorde, é preciso que o pedido que faz a ele o surpreenda para que reavalie sua posição. A coragem de Ann diante da própria morte, torna mais clara sua covardia. Percebendo isso, e aceitando a tarefa que ela lhe pede, começa sua própria transformação.

Cenas:

Cena 1 – Chuva – Arcano: O Sol
Nessa cena, de beleza surreal, Ann toma consciência de si mesma, percebe quem é e o que sente.

Cena 2 – Na universidade – Arcano: A Roda
Presa num destino do qual nem percebe a existência, ouve fitas de alemão, mas sem que se tenha objetivo algum. Limpa a faculdade, em que não vai estudar. Ri, mas sua vida é mecânica: trabalhar, buscar a mãe, dormir, acordar, cuidar da casa, etc., etc., etc.

Cena 3 – Mãe de Ann reclamando – Arcano: O Enforcado
Nada é bom, não gosta das fitas em alemão, pergunta por Don que sempre está procurando um novo emprego, diz que Ann deveria ouvir música como pessoas normais. “Mãe, ninguém é normal”.

Cena 4 – Com Don – Arcano: O Mago
Ilusão da vida, ilusão de amor, ilusão de carinho e algo maior. É a ilusão dele que a mantém na dela. A imaturidade dele que faz com que ela sempre aja no controle, mas que dá um pouco de falsa poesia ao seu dia e às suas noites.

Cena 5 – Desmaio, Hospital e a Doença – Arcano: A Torre
O mundo desaba: não há mais tempo, não há mais vida a ser perdida. A consciência de que as bases em que construiu suas crenças, de ter uma vida inteira pela frente, caem por terra. Ruína e queda, possibilitando que ela veja a vida como realmente é, que veja a si mesma como realmente é.

Cena 6 -  Cena com marido e as filhas – Arcano: O Mago
É a sua vez, ela os ilude. Mente que tem anemia, e ninguém a questiona. Ninguém enxerga o suficiente para perceber quão mais grave era seu quadro: quem realmente ali a conhecia de verdade? Ela simplesmente aproveita a ilusão coletiva para viver da melhor forma o tempo que tiver.

Cena 7 – Repensar a vida e escrever os desejos – Arcano: A Temperança
Após a morte ter tocado sua vida, a mudança interior é inevitável: pela primeira vez em muito tempo, Ann pensa sobre si e sua vida, e começa a rever tudo que não fez. Assim escreve seus desejos e dizendo o que pensa, é notada por Lee.

Cena 8 – Café da manhã com as filhas – Arcano: A Imperatriz
Nutrir enquanto pode, trazer a felicidade e viver o máximo. A alegria transparece de tal forma que a filha mais velha acha que é domingo ou aniversário.

Cena 9 – Cabeleireira – Arcano: O Hierofante (manipulador)
Apesar de sem sucesso, a cabeleireira quer impor seu gosto pessoal a Ann, tentando convence-la a fazer tranças. Todo o ambiente traduz superficialidade, e ali Ann está buscando uma transformação externa, porque a interna já começou.

Cena 10 – Mãe reclamando novamente – Arcano: O Enforcado
Mãe reclamando de dores, dos bolos que precisou fazer, da dor nos quadris, da chuva, da neve, reclama enfim...

Cena 11 – Saindo para o Bar e Lavanderia – Arcano: O Louco
Ela sai deixando todos dormindo e um bilhete que vai a lavanderia. Encontra a cabeleireira que lhe fala sobre Milli Vanilli e a injustiça que associa a eles. Desencantada com o bar, vai a lavanderia e lá encontra Lee novamente. É o começo da realização de dois de seus desejos.

Cena 12 – Caminhando Sozinha – Arcano: O Eremita
Ela caminha, e percebe como todo o consumismo nos afasta da idéia da morte. Percebe Milli Vanilli por toda parte: vidas, vozes, sonhos emprestados. Nada é real. Nada é como parece ser. Vê o que não pode comprar, o que não deseja mais comprar porque não tem importância alguma. Ela vê claramente, porque sua luz interior acendeu, e agora pode enxergar de dentro para fora.

Cena 13 – Briga com a mãe – Arcano: O Diabo
Sombras vindo a tona: histórias da mãe sofredora para as netas, a mãe de Ann que a acusa de ser parecida com o pai, Ann que se diz parecida com a mãe e de não gostar nada disso. O Diabo aqui funcionando como catalisador de feridas mal curadas. Briga com a filha mais velha, Penny. Reconhecimento da infantilidade do marido (que chega querendo beijos mas bebeu além da conta) e da necessidade de sair dali, naquele momento.

Cena 14 – Gravação das Fitas – Arcano: A Sacerdotisa
A sabedoria adquirida sendo repassada para as filhas: a felicidade acima de tudo, pedir ajuda ao pai (que sabe mais do que parece), compreensão com a avó, a força para prosseguirem com seus sonhos, o incentivo para terminarem os estudos, o reconhecimento da incapacidade de falar sobre relacionamentos por não ter tido tempo e nem experiência nesse assunto.

Cena 15 – Desabafo no banheiro com Laurie – Arcano: O Diabo
Colocando as dores e os demônios para fora, mostrando porque o tumor desenvolveu-se tão rapidamente: duas filhas = dois ovários com tumor, espalhado pelo estômago (o que recebe todos os “sapos”) e chegando ao fígado (onde estava escondida toda a ira reprimida). Ali fica claro que Ann abriu mão da vida sem perceber que o fazia e que as decepções e responsabilidades fizeram dela uma pessoa sem sonhos. Quem pode viver, sem sonhos? Por isso, ela está morrendo.

Cena 16 – Na casa de Lee – Arcano: Os Amantes
Ela decide vê-lo, e percebe que ele está ali. O vê, mesmo quando ele não se mostra. Faz com que ele confesse ter pensado nela e no carro, enquanto ouvem “senza fine”, diz a ele que se não beija-la vai gritar. Seu grito é interrompido pelo beijo, que ele decide dar. Eles se amam, sem futuro e sem depois. Porque o depois não existe.

Cena 17 – Encontro com o médico frente a frente – Arcano: A Temperança
Ele senta a sua frente, diz que é terapia (para ele ou para ela?), ela desafia a maturidade do médico pedindo que ele guarde e entregue as fitas às suas filhas. Não confia no marido, mas confia na figura do Hierofante que o médico finalmente parece querer assumir de verdade.

Cena 18 – Com Laurie, convite para jantar e o Jantar – Arcano: A Lua
Completamente inconsciente de seu processo de ansiedade descontada na comida, Laurie conta calorias imaginárias. Janta na casa de Ann, mas come oito costelas e muito purê. Sua conversa é superficial e mesmo a filha pequena, de seis anos, a considera uma “porca”. Ann tenta arrumar-lhe desculpas enquanto conversa com Don... mas Laurie não precisa delas, não enxerga nada realmente do que vive, inconsciente que está das 1.500 calorias em bombons que traz nos bolsos.

Cena 19 – Conhecer a outra Ann e dançar com Lee – Arcano: O Carro
Dois caminhos que jamais seguiria normalmente. Deixa as filhas com a vizinha, seguindo seus instintos, e vai encontrar Lee, com quem tem uma dança romântica. Tal nunca tivera na vida.

Cena 20 – Conhecer a história de Ann e o aniversário da mãe – Arcano: O Diabo
Dores profundas na decisão da outra Ann (enfermeira) em não ter filhos, cuidou por 30 horas de gêmeos siameses que foram deixados para morrer. E a dor da mãe, contando do aniversário em que ganhou uma cumbuca de amendoim com uma vela. Nenhuma das duas aceita dividir a dor, ambas fogem dela: Ann deixando repentinamente o trailer, e a mãe evitando o contato carinhoso da filha.

Cena 21 – Despedida da cabeleireira – Arcano: A Estrela
Consegue as unhas que queria e nunca teve, dá um presente e uma certeza à cabeleireira: dizendo “adeus” diz que as tranças ficam muito bem nela.

Cena 22 – Revendo o Pai – Arcano: A Lua
Encarando o pai, ouvindo a sua verdade, finalmente ela consegue fazer o trajeto de volta para sua mãe. Compreendendo o que pai podia e não podia ser, ela percebe quem a mãe é. Ele não sabe, mas a despedida é definitiva.

Cena 23 – Doente em casa, fita de Don e da mãe – Arcano: A Sacerdotisa
Aqui a sabedoria vai para os mais velhos. Depois de atravessar a jornada lunar visitando o pai, ela consegue falar aos dois que tanto amava o que eles precisavam ouvir para transformar-se: a mãe para se realizar enquanto mulher (Imperatriz) e o marido para deixar de iludir e tornar-se pai (O Imperador).

Cena 24 – Restaurante, confissão de amor e despedida de Lee – Arcano: A Força
Ela vai a um restaurante que sempre quis ir, mas mal consegue comer quando Lee começa a descrever os lugares para onde gostaria de leva-la. Ela precisa sair, porque seu tempo está acabando. Recebendo a declaração de amor de Lee, ela realiza a integração entre paixão e sentimento, instinto e razão. Ela percebe sua própria força em viver tão intensamente, mesmo que por pouco tempo.

Cena 25 – Jantar da outra Ann, com Don e as crianças – Arcano: O Julgamento
Ela vê a vida que desejaria sem ela. Vê a outra Ann cuidando das crianças, do jantar e de Don. Percebe que haveria carinho, haveria felicidade. Reza internamente para que dê certo, para que sejam felizes e não se importa de morrer porque os devidos fantasmas foram exorcizados, é a renovação que a espera e que ela deixou de herança para cada um deles.

Cena 26 – Lee ouvindo a fita e a transformação de todos – Arcano: O Mundo
Enquanto ouve a fita, Lee vai ouvindo sobre o amor que sentia por ele apesar de não ter tido coragem de falar. Nesse meio tempo, enquanto a voz de Ann é ouvida ao fundo, a transformação ocorrida nos outros personagens pode ser vista, sentida, percebida. E o filme termina, com Lee pintando as paredes de sua casa, ou seja, recomeçando.


Ficha Técnica
Título Original: Mi Vida Sin Mi
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 106 minutos
Ano de Lançamento (Espanha): 2003
Site Oficial: www.sonyclassics.com/mylifewithoutme
Estúdio: El Deseo S.A. / My Life Productions Inc. Milestone Productions Inc. / SLU
Distribuição: Sony Pictures Classics / Warner Brothers / Imagem Filmes
Direção: Isabel Coixet
Roteiro: Isabel Coixet, baseado em livro de Nancy Kincaid
Produção: Esther García e Gordon McLennan
Música: Alfonso Vilallonga
Fotografia: Jean-Claude Larrieu
Desenho de Produção: Carol Levallee
Direção de Arte: Shelley Bottom
Figurino: Katia Stano
Edição: Lisa Robison

Elenco:
Sarah Polley (Ann)
Scott Speedman (Don)
Deborah Harry (Mãe de Ann)
Mark Ruffalo (Lee)
Leonor Watling (Ann)
Amanda Plummer (Laurie)
Julian Richings (Dr. Thompson)
Maria de Medeiros (Cabeleireira)
Jessica Amlee (Penny)
Kenya Jo Kennedy (Patsy)
Alfred Molina (Pai de Ann)
Sonja Bennett (Sarah)

1 comentários:

3 Fases da Lua disse...

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