terça-feira, 21 de setembro de 2010

A Força e O Enforcado

XI - A Força

A Força - Tarô de Marselha
Afrontar a natureza instintiva invadindo seus domínios, é pedir para ser devorado. É preciso coragem para enfrentar o leão e acalmá-lo. Necessário ter uma enorme força interior, para que a força bruta não se sobreponha e vença. A donzela ao lado mostra serenidade e, dessa forma, consegue estar perto da própria fera, olhá-la e abrir a sua boca para ver o que contém. Na cabeça da donzela está a leminiscata (o chapéu), que a coloca em contato com sabedorias universais. Ela não está dominando o leão, mas mostrando que é parte dele. Ela o deixa conhecê-la, senti-la e cheirá-la. Seus pés descalços estão em contato direto com a terra, na mesma terra que o leão pisa: eles são um só e estão descobrindo a força que essa descoberta possui. O desafio consiste em não tentar domar esse leão, símbolo dos instintos naturais, mas o de integrá-lo beneficiando-se de sua força sem, no entanto, condicioná-lo a um comportamento cortês que o descaracterizaria. O leão , que temos dentro de nós, é a nossa defesa, é aquele que nos avisa quando invadiram nosso território, quando estamos prestes a abrir mão de nossa vida, quando nos lançamos em neuroses que podem nos privar de nossa razão. Ele é o nosso sensor do perigo, porque possui um desenvolvido instinto de sobrevivência. Ele estuda, verifica, defende. Sem ele, seremos presas fáceis de nossos predadores. Sem ele seremos gatos sem garras, leões sem dentes, macacos sem agilidade e estaremos a mercê. É preciso conhecer e integrar a força instintual que trazemos em nosso interior. É imprescindível percebê-la agindo e escutar seus avisos e conselhos. Mas, além disso, é necessário preservá-la para que ela nos ajude a nos preservarmos.

Utilização prática: Um momento de poder chegou, o conhecimento de forças que não sabia existir em seu interior está disponível. É hora de abraçá-la e interiorizá-la, para que ela possa fazer parte de você e você fazer parte dela. Não tente dominá-la, coopere com ela. Deixe que essa força te impregne, que corra pelas suas veias e inunde suas células. Você vai precisar dessa força, deixe-a ser UNA contigo.

XII - O Enforcado

O Enforcado - The Sacred Rose
Uma parada obrigatória. Não há como evitá-la. Tenha sido por escolha, caminho ou por acidente, estamos impossibilitados de continuar. Pelo menos, durante um tempo. Nenhuma revolta surtirá efeito. Nenhum remédio, a não ser paciência, poderá ser utilizado. O Enforcado está preso pelo pé e com as mãos amarradas não se pode soltar. É preciso, portanto, olhar a vida sob outro ângulo e perceber novos aspectos. Deixar que a cabeça entre em contato com a terra, para que ela seja nutrida e possa germinar novas idéias, numa próxima fase. Permitir ficar observando. O número quatro, que o Enforcado faz com as pernas, é o número que espelha a concretização: ele poderá concretizar muito dos planos sonhados enquanto estiver nessa posição, mas é importante saber esperar o momento certo. O chão está coberto de flores, que mostra a fertilidade que a terra está ofertando. Uma das lendas sobre o Deus Odin, na mitologia nórdica, diz que ele dependurou-se ferido em Yggdrasil, por nove dias e nove noites, para ter direito ao dom da profecia. Da mesma forma, um período contemplativo poderá nos dar consciência de potenciais que temos e podemos desenvolver. O desafio consiste em aceitar o conhecimento que essa fase irá trazer, sem tentar espernear loucamente para sair dali. Pode-se partir a corda fazendo isso e, em conseqüência, quebrar o pescoço na queda. É preciso olhar profundamente para dentro de nós mesmos, do que nos levou por esse caminho, onde a corda esperava para nos prender o pé. Compreender para superar. Se ficarmos indiferentes, apenas esperando que o tempo passe, essa situação irá se repetir indefinidamente.

Utilização Prática: Deixe-se ficar parado. Deixe-se olhar a vida por ângulos diferentes. A vida o coloca em suspenso, para que observe seu próprio interior e descubra o que há nele. É preciso aceitar esse período de meditação, deixar que ele mostre as lições necessárias. As ações estão prejudicadas, nada começará ou se concretizará nesse período. Existem ervas daninhas que precisam ser identificadas, do contrário todo o jardim pelo qual está tendo tanto trabalho, perecerá.