segunda-feira, 2 de novembro de 2009

O Hierofante e Os Enamorados

Por Ana Marques

V - O Hierofante

Existe um poder que se encontra por trás do poder. Existe uma força que direciona todas as forças. Esse poder, essa força, esse guia transfigura-se em nosso HIEROFANTE. Suas mãos doam e recebem, a energia que o circunda transpassa os canais sutis da consciência e se deposita diretamente em
nosso inconsciente.

Todos buscamos quem nos oriente, mesmo que neguemos esse papel a um único ser. Numa frase perdida do jornal ou na boca de um desconhecido na rua, ouvimos verdades inerentes ao nosso interior e que nos fazem repensar conceitos que considerávamos reais. Veja: eis o Hierofante se fazendo presente. A importância de sua figura está no que ele faz sem que possamos perceber sua influência. Ele é aquele que nos faz perceber detalhes que passavam despercebidos, que nos dá bons conselhos, que nos coloca diante do que aprendemos.

Possui quatro aspectos principais: o mártir (que ensina pelo exemplo e pela dor), o dogmático (que guia - e se guia - pelas leis aprendidas, pela tradição e busca converter pela fé), o manipulador (que mostra mas não ensina o conhecimento, de forma que torne as pessoas dependentes de sua sabedoria) e por último o Iniciador (que inicia a pessoa, de forma que ela adquire o conhecimento conforme fica preparada). Seu desafio consiste em não se deixar cegar por esse papel, tentando decidir o que cada um pode ter conhecimento e enganando-se no papel de "o mais sábio". Estudo não traz sabedoria a ninguém, apenas a vivência o faz. Podemos passar a vida acumulando teoria sem jamais vislumbrarmos a essência. É vazio o conhecimento dado por estantes e mais estantes de livros, se estiverem separados da vida cotidiana. Nos escondermos atrás de 'cientificismos'
inócuos apenas nos tornará teóricos embolorados, conforme o tempo for passando. Em qualquer lugar, precisamos ter consciência e visão do outro, enxergá-lo significa não menosprezá-lo. Quando menos esperamos, as pessoas nos surpreendem. Permitam a surpresa.

Utilização Prática: Quando este arcano aparecer, permita que frases soltas, provérbios, músicas te guiem para um novo rumo na consciência. Deixe que a mensagem vá além da superfície e aceite que as menores coisas podem ter efeitos poderosos sobre o interior. As vezes, encontramos guias porque estamos prontos a mudar nosso ponto de consciência atual, e esse guia tem tarefa importante para ajudar com que enxerguemos nuances que passam despercebidas. Estamos prontos para ver, falta o empurrãozinho. Não deixe o preconceito contra a palavra "mestre" te prive deste contato. Só é dominado aquele que se deixa dominar. Lembrando-se disso se entregue às lições e estude-as detalhadamente, esse período mostra que muito conhecimento será adquirido e exigido, por isso prepare-se: o que a vida nos dá, ela cobra uso posteriormente.

VI - O Enamorado

Nesse momento vemos a indecisão que se afigura a nossa frente. O que somos e o que seremos nos puxam pelos braços sem que consigamos reagir. Existe uma pressão imensa para que possamos nos decidir: de um lado tudo que sempre conhecemos, nossos sonhos e medos de criança; do outro um mundo novo e inexplorado de sentidos e sentimentos. Que caminho escolher? A liberdade nos traz como responsabilidade o livre arbítrio, e as consequências. Ser livre, mais do que fazer exatamente o que se quer, prediz que precisamos saber o que queremos e como chegar onde queremos.

Para sermos livres, é preciso entender onde termina a influência da família e começa a da sociedade. Não basta também estarmos fora da sociedade, dizermos que nos apartamos dela, porque o processo pode ter emperrado exatamente nesse ponto: quando decidimos ir contra tudo que nos pregaram, sem perceber que isso também nos escraviza, a verdadeira liberdade dá voz àquilo que queremos cantar e não apenas a rebeldia.

Ser rebelde é estar preso ao que nos ensinaram. Ser livre é, antes de tudo, conhecer a si mesmo para poder decidir o que se quer: é um processo de vida inteira. O rapaz ao lado, entre as duas mulheres, ainda está inconsciente. Nem mesmo percebe seus instintos sendo aguçados pelo cupido que se prepara para flechá-lo colocando-o nas mãos do acaso. Atiçado pelo menino alado, o herói pode decidir com os hormônios, em vez de fazê-lo com o interior. Ao mesmo tempo, ele pode perceber a manipulação que está vivendo e buscar um caminho alternativo, nem o da mãe ou o da namorada, mas um que pertença a ele mesmo.

Um em que ele passe a tornar-se consciente de quem é, do que quer e de como deseja chegar lá. Apenas dessa forma, o sentido da liberdade torna-se real e nosso herói poderá enxergar todos os ângulos da questão.

Utilização Prática: Vai decidir? Decida-se de forma consciente. Quer consciência? Busque-a. O movimento que nos leva a nós mesmos pode levar a vida toda. É a forma real de termos algo parecido ao livre arbítrio. Então o momento é de consciência e meditação nas decisões. Procure enxergar quem decide por você: os valores familiares, a sociedade, o acaso. Procure enxergar em cada decisão (por menor que seja) uma oportunidade para exercer o autoconhecimento. Perceba que entregar a vida nas mãos de um suposto destino é ser conivente com ele, e portanto responsável por cada conseqüência. É aceitar que vai receber a colheita da semente que não escolheu, mas plantou porque era o que estava a mão. Busque as próprias sementes, e plante o que deseja colher. Seja responsável por suas atitudes e pelas consequências que advirem delas.

1 comentários:

Alexandre disse...

Olá! Parabéns pelo seu blog. Tenho um onde trato de assuntos relacionados ao espiritualismo, esoterismo, ocultismo e metafísica.
Talvez você se interesse em visitá-lo.
http://o-hierofante.blogspot.com/
Um abraço.