segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Mago e a A Sacerdotisa

Por Ana Marques


I - O Mago
O mago é aquele que adquiriu conhecimento pelo caminho, mais amadurecido já consegue distinguir nos elementos naturais - água, fogo, ar e terra representado respectivamente pelos objetos taça, bastão, espada e moedas - a força que move a magia. Seu chapéu de abas largas diz que sua mente pode apreender o infinito e seu impulso é o de aplicar tudo que tem aprendido para poder vivenciá-lo na prática. O Mago deseja resultados, e logo!

Sua impaciência e sua sede de aprendizado podem se transformar em sede de poder, e sendo assim ele pode enveredar pelo caminho da arrogância. Nesse caminho qualquer pessoa que não possua o mesmo saber que ele não lhe serve de companhia. Ilusoriamente, aumenta a amplitude do próprio conhecimento e por vezes pode se tornar auto-indulgente a ponto de acreditar que nada mais tem a aprender.

O Mago tanto pode galgar degrau a degrau de forma paciente e visando a sabedoria em si e não o proveito próprio, como pode desvirtuar o próprio caminho procurando tornar-se mestre dos outros sem possuir bagagem para ser nada além de um aprendiz. Ele pode iludir com os poucos truques que aprendeu e utilizar sua magia como uma forma de influenciar os outros.

O desafio do mago consiste em seguir em frente com seus estudos, sem deixar-se levar pelas falsas glórias que o início do aprendizado nos mostra. A consciência do muito que se tem para aprender muitas vezes é a lição necessária para que ele não tropece exatamente no que foi buscar.

Utilização prática: A vida lhe apresenta os apetrechos e o conhecimento inicial. Saber como utilizá-lo depende única e exclusivamente de você. O caminho é composto pelos passos que damos, de acordo com a direção que seguimos. Você tem à sua frente nesse momento a exata maneira de alcançar um objetivo, mas a mestria somente é conseguida se praticada e criticada regularmente. Não adianta levar adiante alguns truques como se fossem o aprendizado completo, eles são apenas o ponto de partida. No entanto, são eles que farão com que a caminhada se inicie. Boa jornada.

II - A Sacerdotisa ou A Papisa

Na figura da Papisa, encontramos aquele que tropeçando em seu próprio caminho, buscou centrar-se em seu aprendizado antes de sair pelo mundo acreditando que poderia tocar os outros com a varinha de condão e modificar-lhes a vida. Agora é o momento de concentrar-se em aprender, de ser humilde no muito que ainda não se sabe e no longo caminho a se percorrer. A Papisa carrega um livro sagrado onde estão os ensinamentos que ela deseja entender. Seu chapéu pontiagudo a liga aos céus, mostrando que seu objetivo está além do que é material. Um bastão em sua mão a apoia em sua caminhada, ela mostra paciência, perseverança e solidez em seu porte. Seus olhos fitam o infinito, ela sabe onde deseja chegar, mas não tem pressa. Ela está coberta da cabeça aos pés, mostrando que o momento é para se resguardar, a Papisa não fala, escuta. E não escuta como quem compreende, mas como quem deseja aprender. Ela escuta como o aluno diante da explicação da matéria predileta. Ela se prepara para ensinar. Em algum momento no futuro ela irá passar adiante todo conhecimento que está acumulando e para isso precisa saber o quanto é duro adquirir esse saber. É o trabalho de uma vida inteira.

O desafio de A Papisa consiste em não se deixar aprisionar no caminho, não se prender no acúmulo de conhecimentos sem transformá-los em prática. Se ela permanecer sentada absorvendo sem nada doar, estará indo contra as leis do Universo onde tudo está em movimento. Água parada fica turva, o que não se movimenta atrofia. A Papisa precisa confiar em si mesma o suficiente para sair pelo mundo, e continuar a cumprir o próprio caminho sem se prender a um falso perfeccionismo de que jamais estará pronta para enfrentar o próximo passo.

Utilização prática: O conhecimento se aprofunda conforme avançamos em nosso caminho. Dentro da sua própria perspectiva, é preciso prestar atenção em tudo que aprendeu e está aprendendo, para que não se perca em conjecturas filosóficas que não saem do plano das idéias. O que você tem aprendido, foi feito para ser aplicado e não apenas para ser acumulado. Embora seja o momento de estudar, procure se conscientizar de que todo aprendizado tem uma prova prática, e a sua também vai chegar.

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