domingo, 25 de outubro de 2009

A Imperatriz e o Imperador

Por Ana Marques

III - A Imperatriz

Em sua força e integridade, na abertura com que olha para a vida, fitamos a Imperatriz. Sua coroa de estrelas mostrando sua ligação com o divino, seu cetro de poder que indica a autoridade conquistada. Seus pés repousam sobre um regato, e a água - símbolo do inconsciente, das emoções e da fluidez - rege todo seu ser de baixo para cima. A Imperatriz não se preocupa com o reino, mas com o povo do reino. Em nenhum momento ela verifica as posses do castelo, mas quem cuidará das doenças, da comida e da educação de cada habitante que está sob seus cuidados. A Imperatriz age no mundo pelo sentimento, pela integração com a natureza que a cerca. Ela é a própria natureza, encarnando a mãe de todas as criaturas. Seu estado natural é estar permanentemente grávida: gerando idéias, sonhos, projetos e mudanças. Cada filho que nasce, ela nutre em seu seio e depois o vê sair caminhando vacilante, como todo bebê. Continua cuidando dele, com seu desvelo interior, e aguarda que se torne independente, para que possa doar sua atenção aos outros que necessitarem desses cuidados. Tem grande afinidade com as ervas, as flores, os alimentos, as artes manuais e as expressões artísticas em geral. É uma apaixonada pela beleza da vida e a poesia intrínseca a cada momento.

O desafio da Imperatriz se dá em duas fases:

Permitir que suas criações nasçam, de forma que não apodreçam no útero do medo da realização. Tudo que é gerado necessita vir à luz. E manter qualquer projeto (ou sonhos, ou idéias) dentro de si mesmo, é o mesmo que condená-lo a morte. É energia estagnada e desperdiçada.

Quando o bebê atingir a idade em que não necessita mais dos cuidados maternos, permitir que ele se vá. Deixar que uma idéia ganhe seu próprio espaço no mundo, é permitir que ela viva em sua plenitude. Todo projeto ultrapassa o criador, porque passa a agir no mundo e a modificá-lo sendo, portanto, modificado também. Não importa quão bem planejamos algo em nossa vida, ao executá-lo ele toma vida própria, exigindo novas mudanças que não havíamos imaginado. Limitá-lo ao que criamos, seria o mesmo que escolher a profissão de nossos filhos. E ao fazer isso estaríamos castrando-os. Impedindo-os de serem aquilo que desejam, para que se tornem apenas o que imaginamos para eles.

Utilização Prática: Utilize a energia criadora, energizadora e nutridora da Imperatriz. É chegado o tempo de criar, por isso, permita que essa energia te permeie para que aprendas a alimentar seus sonhos. A criatividade está sendo solicitada em sua vida, e ignorar essa fase é o mesmo que dar adeus aos projetos que podes realizar. Aproveite, aprenda e interiorize. Uma vez que essa energia faça parte de você, compreenderá como permanecer amamentando suas idéias e dando segurança ao que deseja realizar. Reflita sobre sua vida, sobre onde está deixando de criar. E imediatamente, comece a despertar toda sua imaginação para que aja na sua vida de forma construtiva. E lembre-se que os sonhos, após realizados, não nos pertencem mais. Deixe que eles cumpram seu papel e permaneça no seu de cultivar novos sonhos, sempre.

IV - O Imperador

Diante de qualquer medo este arcano se ergue para nos proteger. O Imperador utiliza toda sua autoridade e força para manter a vida em seus eixos e os súditos calmos. A sua meta é a tranquilidade e a abundância, aqui estaremos providos de tudo que é necessário: o Imperador nada deixa nos faltar. Suas metas são estabelecer limites e realizações concretas, ele se ausenta do mundo religioso ou filosófico para que o mundo físico possa ter suas bases sólidas. Ele é a figura do pai: provedor, terno e autoritário.

A coroa e o bastão em suas mãos, bem firmes, mostram que seus objetivos podem ser tocados. O trono assentado diretamente na terra (num solo extremamente fértil) o coloca em contato direto com a abundância. O seu povo, pelo qual ele sente uma enorme responsabilidade, não pode passar necessidades. Para ele, tanto a criança quanto o velho, precisam ser guiados e alimentados. A cabra, que teve sua simbologia associada a fartura devido ao mito de Amaltéia - a cabra que amamentou Zeus e que teve um de seus cornos transformado na cornucópia que trazia os dons da prosperidade - está ao lado do rei, como fiel integrante de seu reino. O falcão tem, entre seus principais atributos, uma visão poderosa por sua amplitude, e estando no ombro do rei simboliza a visão divina deste, que pode ser utilizada para tomar as melhores decisões visando o bem estar coletivo.

O Imperador nos traz a idéia daquele que firma as bases da vida material, que nos mostra os limites definidos na física de Newton e que estabelecem as regras usuais de vivência na Terra. Exatamente quando tratamos dos assuntos cotidianos, tais como: trabalho, estudo, a família, as contas, o salário. Ele mostra a determinação nas causas possíveis, a força no que é concreto e que poderá nos trazer confortos ou desconfortos. Sua autoridade é permanente e indiscutível, da mesma forma que estarmos vivos e respirando também o é. O Imperador coloca os pés no chão e toda sua energia está em fazer florescer esse solo, com o qual ele se mistura e do qual ele veio.

Seu desafio consiste em não firmar sua autoridade de forma que se torne uma ditadura e em que os anseios do espírito e do coração não tenham possibilidade de expandir-se. Acreditar que o mundo da matéria pode suprir todas as necessidades interiores pode ser tão danoso quanto ignorar essas mesmas necessidades em prol da evolução do espírito. O alimento do corpo não é suficiente para o homem, se o fosse todo o processo de individuação, análise do indivíduo, busca pessoal, entre outras facetas que fazem parte do ser humano, seriam banalidades. É importante respeitar o indivíduo e não deixar que o Imperador acredite ser o dono de todas as verdades de cada um de seus súditos.

Utilização prática: Quando o Imperador aparece é o momento de olhar para sua vida física e dar à devida atenção a ela, sem deixá-la de lado por questões filosóficas ou religiosas. Busque dentro de si mesmo a organização, disciplina e a visão de seu reino, tome consciência da existência dele e de como o construiu. Modifique-o se necessário. Não se coloque numa posição de quem tudo sabe e pode, porque ao buscar uma visão equivocada de si mesmo poderá cair na armadilha do conto de fadas "As Roupas Novas do Imperador". E movido pelo orgulho demorar a perceber que está nu no meio da multidão que se diverte a sua custa.

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