domingo, 27 de setembro de 2009

O Louco - Arcano 0 ou 22

Por Ana Marques

O olhar do Louco mostra a busca que se inicia, a falta de medo e a ignorância que ele tem do perigo. O cachorro que o segue o avisa e tenta impedi-lo de seguir adiante. Porém o caminho que ele necessita seguir é em direção ao precipício, ele segue para se arriscar mesmo que não tenha consciência disso. Em sua sacola, apenas o necessário. O Louco não carrega nada que não seja imprescindível, o supérfluo não faz parte de sua história. No início do caminho, como ele está, precisa ter espaço para que possa guardar suas experiências. Seu momento é o agora e como uma criança recém-nascida, ele não teme o futuro porque ainda não aprendeu o que é o medo.

O Louco age de forma temerária, sofre de excesso de autoconfiança. E nesse ponto sua força pode se tornar sua fraqueza: ele segue sem esperar cair e, num momento de queda (e todos nós caímos em algum momento), pode se revoltar contra a vida e negar-se a seguir adiante, tal qual criança birrenta quando contrariada. O Louco é imaturo, está começando o caminho, e tanto pode seguir adiante como desistir frente a um obstáculo.

O desafio dele é exatamente este: trilhar o caminho, sofrer os acidentes (naturais em qualquer estrada) e mesmo assim não desistir, disposto e firme no propósito de chegar à consciência.

Utilização prática: Nesse momento, a vida te coloca em conexão com o novo, com o começo, com a criança interior. Ouça-a, sinta-a, conheça-a, deixe-a expressar-se. Ela entrou na sua vida para te mostrar o quanto têm-se prendido ao passado, ao que não te serve mais, ao quanto sua vida necessita, ou está prestes, a mudar. Permitir as mudanças faz com que cresçamos, resistir à elas faz com que esse crescimento doa desnecessariamente. Sinta a vida, seu impulso criativo, que veio bafejar em seu rosto os caminhos que se abrirão para que novos rumos possam ser seguidos. Entre de cabeça no novo, mas lembre-se de olhar onde pisa, não se deixando aprisionar na armadilha da inconsequência utilizando a inocência como desculpa.

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