domingo, 27 de julho de 2008

Oito de Copas - A escada emocional


A zona de conforto foi-se.
Agora o momento é de busca profunda. O oito anuncia mudanças em qualquer naipe, estamos no final da jornada e para chegar ao êxtase é necessário que as últimas arestas, que os limites, que os nossos sonhos e conceitos sejam testados. No naipe de copas, esse sentido se volta para os sentimentos, para as emoções, para a realização do ser como um todo. Para alcançarmos esse estágio, é preciso sair da nossa zona de conforto e sair em busca.
A escada, presente na representação de vários artistas que retrataram essa carta, representa a espiral, é símbolo da partida e da mutação. A escada nos leva da Terra ao Céu e também é o modo como a divindade desde à Terra. Através da escada, mudamos de mundo. Para cima, em direção à divindade. Para baixo, em direção ao submundo. A escada é a conexão entre o céu e o inferno. Entre a ascensão e a decadência.



Tarot of Dreams, por Ciro Marchetti


Se estamos em baixo e subimos (ou nos preparamos para subir) a escada, buscamos uma elevação do espírito, alcançar uma oitava maior na nossa senda emocional.


Tarô Mitológico

Se estamos em cima e vamos descer, a busca se volta para dentro, para os recônditos obscuros de nosso eu emocional. Para o encontro com as sombras perdidas daquilo que rejeitamos em nossa vida. Para o resgate do nosso eu, da nossa força, do nosso poder de transformar a nós mesmos.

Sim, vamos sair. Vamos deixar para trás a zona de conforto. Vamos nos encontrar com um EU mais completo. Seja subindo ou descendo, seja acima da nossa realidade ou abaixo dos nossos pré-conceitos, alcançar a plenitude no dez de copas implica em buscar uma nova visão de si mesmo. E essa visão passa pela espiral do oito de copas.

A Estrela e o descanso



Art Tarot, por Thalia Took




Texto por Ana Marques

Quando a vemos, temos esperança.





Achamos que a vida deu automaticamente uma guinada para melhor, não é mesmo?



Bom, não. Nem sempre.



A Estrela também é a pausa. Lembrem-se que antes dela, está lá a Torre que nos atirou no chão e retirou de nós todas as nossas proteções, desmanchou todos os nossos castelos de areia. Ao final da Torre estamos feridos, cansados, abatidos.



E a Estrela vem, para nos recuperar, para nos dar repouso, remédio, alimento. Ela nos prepara e nos fortalece para a jornada seguinte: A LUA.



Então, nem sempre é a esperança que brilha quando vemos a Estrela, mas a CURA.

Curem-se pois. E saiam para a sua nova jornada apenas depois de recuperados.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Oito de Paus - Uma oitava acima



Tarot of kamryn


O oito, qualquer deles, anuncia mudança. Anuncia que o auge se aproxima, que a vitória está próxima. Quanto mais perto de nosso objetivo, mais fácil é cometermos o erro fatal, tropeçarmos antes da linha de chegada, esquecermos do detalhe fundamental que nos daria aquilo que buscamos por toda nossa jornada.



Cuidado, portanto. No oito, exatamente por estarmos próximos, podemos não ver as pedras, subestimar os obstáculos, desprezar o óbvio.



Mas estamos hoje no arcano de Paus.



O fogo purifica, envolve, queima, transforma, transmuta.O fogo era o elemento primordial na alquimia, que purificava os elementos para tentar obter o ouro.



Que ouro? Nosso ouro. O que há de melhor dentro de nós.




Unindo os dois conceitos, vemos a espiral em ascendência. Uma oitava acima do quatro de paus, o oito mostra-se como dádivas que podem chover sobre nós. A alegria está em nosso caminho, os dons da Mãe estão em nosso caminho, a purificação está a um passo de nós.



Enquanto vemos as bençãos divinas se derramando, os sentimentos entram em ebulição.



Mas com o que cozinhas os seus sentimentos?



Aqueles que adicionarem vaidade, orgulho e um sentimento de superioridade diante dos demais, verão a inversão: as bençãos voltarão à origem.



Com que intuito almejas a grande transmutação do dez de paus?



Se for para deixar crescer em si o sentimento de empatia, de compaixão, de coragem, de força, de comprometimento consigo mesmo e com o mundo em que vive... as bençãos chegarão a você.



Mas se o destino escolhido e acalentado é um pódio solitário e seco de laços com a vida e as pessoas que estão em volta... a queda é certa e em de bençãos derramadas, arcarás com o peso das madeiras despejadas sobre os seus braços.



A alegria tanto pode envolver, como a opressão pode cair sob a cabeça de todos nós, num momento tão delicado como esse.



O oito de paus anuncia a mudança final, a transmutação do ser individual para o ser cósmico, para o ser pleno. Nada pode ser mais traiçoeiro do que a vitória dada como certa.




Assim como Jasão, que tem seu mito utilizado para ilustrar esse naipe no tarô Mitológico, podemos nos sentir tão fortes e poderosos (e estamos!) que trairemos àquela que nos proporcionou a vitória almejada. Trair Medéia para Jasão foi a traição de seu próprio heroísmo.


Traído o princípio que fazia dele a pessoa especial que acreditou ser, ele perdeu tudo que esteve por momentos em suas mãos... em vez de acalentar, ele esmagou a chance de se tornar pleno, e foi soterrado por suas ambições e apegos.



O oito é o momento crucial da Jornada do naipe de paus. O caminho está aberto, o destino está próximo, é fácil vê-lo e gritar "terra à vista". Basta dar alguns passos para chegar ao seu objetivo.



A vida conspira a seu favor!

O amor, a realização, a satisfação pululam ao seu redor.



Vá ao encontro de si mesmo, não se engane com adulações - de si ou dos outros - e a estrada do Oito de Paus lhe será doce, maravilhosa, incontestável.